Olimpíada de Tóquio: competição deve ser mantida em meio à pandemia?

A Olimpíada de Tóquio deve começar em menos de dois meses, apesar do aumento de casos de covid no Japão.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) insiste que os jogos seguirão em frente, embora Tóquio seja uma das várias áreas do país em estado de emergência.

Quando e onde será a Olimpíada?

Os Jogos Olímpicos de Verão de 2020 estão programados para acontecer na capital japonesa, Tóquio, entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021.

Eles estavam inicialmente programados para julho e agosto de 2020, mas foram adiados — como muitos outros eventos — por causa da covid.

Os Jogos Paralímpicos estão programados para acontecer entre 24 de agosto e 5 de setembro.

Os Jogos Olímpicos envolvem mais de 11 mil atletas de 205 países, com mais de 339 eventos sendo realizados em 42 locais. Os Jogos Paralímpicos apresentam 539 eventos em 22 esportes, hospedados em 21 locais — com um total de 4,4 mil atletas esperados.

A maioria dos eventos será realizada na área da Grande Tóquio. Alguns jogos de futebol e a maratona vão acontecer em Sapporo, na ilha de Hokkaido, que também se encontra em estado de emergência.

O que está acontecendo com a covid no Japão?

O Japão teve um número relativamente baixo de casos de covid, mas uma nova onda de infecções começou em abril. Desde o ano passado, ocorreram cerca de 720 mil casos e 12,2 mil mortes.

Como resultado do aumento repentino, grande parte do país está em estado de emergência até o final de maio, com algumas áreas enfrentando restrições até 20 de junho.

O Japão só começou a vacinar as pessoas em fevereiro, mais tarde do que a maioria das outras nações desenvolvidas.

Até agora, apenas cerca de 2,9 milhões de pessoas — ou 2,3% da população japonesa — estão totalmente vacinadas.

Um programa de vacinação em massa começou no final de maio em Tóquio e Osaka, as duas cidades mais afetadas pelo aumento. As autoridades esperam que os maiores de 65 anos estejam totalmente vacinados até o final de julho.

Quais medidas contra covid estão em vigor para os Jogos?

As fronteiras do Japão estão fechadas para estrangeiros devido ao vírus. Isso significa que nenhum torcedor internacional pode viajar para os Jogos.

Torcedores locais serão permitidos, embora haja um debate se a piora da situação em covid pode forçar as competições a acontecerem sem nenhum público.

Atletas internacionais e equipe de apoio terão que ser testados antes das competições e na chegada ao Japão.

Eles não terão que ficar em quarentena, mas terão que permanecer em bolhas e evitar se misturar com os locais.

Os atletas também não precisam ser vacinados, embora os oficiais do COI esperem que cerca de 80% o sejam. Eles serão testados diariamente durante os Jogos.

As pessoas no Japão querem que os Jogos prossigam?

Pesquisas recentes no Japão mostraram que quase 70% da população não quer que a Olimpíada siga em frente.

Várias cidades japonesas que deveriam receber atletas teriam desistido por medo de que a chegada deles aumentasse a disseminação da covid e pressionasse o sistema de saúde.

No início de maio, um sindicato de médicos disse em um comunicado ao governo que era “impossível” realizar os Jogos, dado o agravamento da pandemia.

Um dos magnatas mais famosos do Japão também criticou a decisão de continuar com os Jogos.

Em um tweet que se tornou viral, o CEO da SoftBank Masayoshi Son disse que a maioria das pessoas queria que a Olimpíada “fosse adiada ou cancelada”, perguntando “com que autoridade ela está sendo forçada a acontecer?”

No final de maio, o principal jornal do país, o Asahi Shimbun, também pediu o cancelamento dos Jogos.

O que dizem os representantes dos atletas?

Diversos órgãos e especialistas expressaram preocupação com os Jogos.

A World Players Association (uma espécie de central sindical internacional de atletas) — que representa 85 mil esportistas em mais de 60 países — disse que o COI deve fazer mais para garantir a segurança dos atletas. A entidade quer medidas de distanciamento físico mais precisas e testes mais rigorosos e eficazes.

Também quer que o COI revogue sua exigência de que os atletas assinem termos especiais como condição de participação.

Atletas japoneses têm se mantido discretos, mas a maior estrela do esporte do país, a campeã de tênis Naomi Osaka, disse que é preciso haver um debate sobre o assunto.

Jules Boykoff, autor do livro Olympians and Power Games: A Political History of the Olympics (Olimpíadas e jogos de poder: uma História Política das Olimpíadas, em tradução livre) escreveu um artigo no jornal americano New York Times pedindo o cancelamento dos Jogos.

“Um evento esportivo não deve ser um evento de superespalhamento de covid-19”, argumenta. “A saúde pública é mais importante do que o lucro econômico.”

O que outros países dizem?

Nenhum país se manifestou contra os Jogos de forma ostensiva.

O Comitê Olímpico do Brasil começou a vacinar no último dia 14 cerca de 1,8 mil pessoas da delegação brasileira que viajarão a Tóquio, entre atletas e demais credenciados. As vacinas usadas (Coronavac e Pfizer) foram doadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O governo federal disse confiar na realização dos Jogos se obedecidos os protocolos sanitários.

“O Japão é um país muito desenvolvido, está estipulando protocolos seguros e precisamos de alternativas para viver com segurança nesse ambiente pandêmico. Uma delas é a vacinação. Os Jogos Olímpicos serão diferentes do que foram no Brasil e vamos aprender a conviver com as questões sanitárias de maneira segura”, afirmou o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Os EUA emitiram um alerta de viagem para quem vai para o Japão após o aumento de casos, mas as autoridades dizem que estão confiantes de que seus atletas participarão dos Jogos.

O Reino Unido continua “totalmente comprometido em enviar toda a equipe do país aos Jogos Olímpicos de Tóquio”.

O presidente chinês, Xi Jinping, também prometeu seu apoio. A China deve sediar os próximos Jogos de Inverno, em fevereiro de 2022.

A Olimpíada pode ser cancelada?

Sim, mas normalmente apenas em circunstâncias muito excepcionais, como guerra ou desordem civil.

É importante ressaltar que o contrato entre o COI e a cidade-sede Tóquio deixa claro que apenas o COI pode cancelar o evento.

Estima-se que o COI ganhe cerca de 70% de seu dinheiro com direitos de transmissão e cerca de 18% com patrocínio. Se os Jogos não forem adiante, isso pode prejudicar gravemente as finanças do COI e o futuro do esporte olímpico.

Dado que o COI tem insistido repetidamente que os Jogos podem prosseguir com segurança, mesmo em estado de emergência, parece que há pouca chance de ele decidir cancelar o evento.

Se Tóquio quebrasse o contrato e cancelasse o evento contra a vontade do COI, os riscos e perdas financeiras recairiam sobre o lado japonês.

O orçamento para Tóquio 2020 foi definido em US$ 12,6 bilhões (R$ 66 bilhões), embora acredite-se que o custo real possa ser o dobro disso.

Mesmo que todos os lados envolvidos na Olimpíada estejam fortemente segurados, as perdas se os Jogos não acontecerem ainda seriam altas.

O adiamento e a falta de torcedores internacionais já afetaram os lucros esperados de uma Olimpíada normal tanto para o país-sede quanto para o COI.

Joia do Cristão Com Informações do Uol

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