O maior crime da história e o maior gesto de amor do mundo.

O processo que culminou na sentença da morte de Jesus estava recheado de gritantes erros. As autoridades judaicas tropeçaram nas suas próprias leis e atropelaram todo o processo no mais importante julgamento do mundo. Tanto a prisão de Jesus no Getsêmani como seu interrogatório diante do Sinédrio revelaram grandes deficiências na condução do processo.

Na verdade, as autoridades já haviam decidido matar Jesus antes mesmo de interrogá-lo – veja Mateus 14:1 e João 11 do 47 ao 53 – Eles haviam decidido fazer isso depois da festa da Páscoa, para evitarem uma revolta popular (Mc 14:2). A atitude de Judas de entregar Jesus, porém, adiantou o intento deles (Mc 14:10,11). O processo, assim, não passou de uma cópia defeituosa de justiça, desde o principio até o fim, pois não tinha outra finalidade senão dar aparência de legalidade ao crime já premeditado.

As leis judaicas não permitiam um  prisioneiro ser interrogado pelo Sinédrio à noite, no dia antes de um sábado ou de uma festa, todas as sessões estavam proibidas. Nenhuma pessoa podia ser condenada senão por meio de duas testemunhas, mas eles contrataram testemunhas falsas. O anúncio de uma pena de morte só podia ser feito um dia depois do processo. Nenhuma condenação podia ser executada no mesmo dia, mas eles sentenciaram Jesus à morte durante a noite e logo cedo o levaram a Pilatos para que este lavrasse sua pena de morte.

A reunião do Sinédrio que sentenciou Jesus à morte foi ilegal, uma vez que ocorreu a noite, e o método usado também foi ilegal, visto que eles ouviram testemunhas contra Jesus.

John Stott, em seu livro, A cruz de Cristo, diz que Jesus passou por dois julgamentos: um eclesiástico e outro civil. O primeiro aconteceu nas mãos dos judeus; o segundo nas mãos dos romanos. No tribunal judaico apresentou-se uma acusação teológica contra Jesus: blasfêmia. No tribunal romano, a acusação era política: sedição.

Os judeus o acusaram por se identificar como o Filho de Deus, e os romanos o acusaram por se identificar como o Rei dos Judeus.

Assim, acusaram Jesus de delito contra Deus e contra César. Tanto no tribunal judaico como no romano, seguiu-se certo procedimento legal:

1 – a vitima foi presa.

2 – a vitima foi acusa e examinada

3 – chamaram-se testemunhas

4 – então o juiz deu o seu veredicto e pronunciou a sentença.

Mas Jesus não era culpado das acusações; as testemunhas eram falsas, por isso a sentença de morte foi um horrível erro judicial.

Tanto o julgamento judaico quanto o romano tiveram três estágios. O julgamento judaico foi aberto por Anás, o antigo sumo sacerdote (Jo 18:13-24). Em seguida, Jesus foi levado ao tribunal pleno para ouvir as testemunhas (Mc 14:53-65), então, na sessão matutina do dia seguinte, para o voto final de condenação (Mc 15:1), Jesus foi enviado a Pilatos (Mc 15:1-5 – Jo 18:28-38), que o enviou a Herodes (Lc 23:7-12), que o mandou de volta a Pilatos (Mc 15:6-15) – Jo 18:39 – 19:6). Pilatos atendeu ao clamor da multidão e entregou Jesus para ser crucificado.

É importante ressaltar, porém, que Jesus foi para a cruz não apenas porque os judeus o entregaram por inveja, ou porque Judas o traiu por dinheiro, nem mesmo porque Pilatos o condenou por covardia. Cristo foi para a cruz porque Ele se entregou a si mesmo por nó voluntariamente (Jo 10:18 – Gl 2:20), não levando em conta ignomínia (vergonha) da cruz pela alegria que lhe estava proposta, a alegria de conquistar-nos com seu amor e salvar-nos por sua graça (Hb 12:2).

Ele, que foi entregue pelo conselho determinado e pela presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o pelas mãos de ímpios (At 2:23) 

Na aplicação destaco três verdades sobre a morte de Cristo na Cruz do Calvário:

1 – ELA FOI DECIDIDA NA ETERNIDADE E NÃO NO TEMPO: (AP 13:8).

A morte de Jesus não foi um acidente, foi uma agenda. A cruz estava incrustada no coração de Deus antes de ser erguida no Gólgota. O Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo. Na mente e nos decretos e Deus, a morte de Cristo já estava lavrada desde a eternidade. Cristo não foi arrastado à força para a cruz; ele nasceu para morrer (Jo 12:27).

Ele caminhou para a cruz como um rei caminha para sua coroação. Na sua morte, Cristo estava glorificando tanto a si mesmo (Jo 12:23) como ao Pai (Jo 17:1). O menino da manjedoura estava destinado a ser o homem de dores da cruz.

2 – ELA FOI VOLUNTÁRIA E NÃO CONSTRANGIDA (GL 2:20)

Jesus não foi preso, ele se entregou. Ele não foi capturado a força pelos soldados; ele se entregou(Jo 18:4-8). Ninguém tirou sua vida, ele espontaneamente a deu (Jo 10:18). Ele nos amou e a si mesmo se entregou por nós (Gl 2:20). Não foram os homens maus que estiveram no controle da situação quando ele suportou a cruz. Ele mesmo se rendeu , e o Pai mesmo o feriu (Is 53:1-12).

Podemos afirmar que não foram os sacerdotes, nem os Judas, nem Pilatos, nem mesmo os soldados que levaram Cristo a cruz, mas foi o Pai que o entregou por amor (Rm 8:32).

3 – ELA FOI VICÁRIA, (SUBSTITUTA)  E NÃO UM MARTÍRIO (1CO 15:3)

Cristo não morreu como um mártir; ele morreu como redentor da humanidade (1Co 15:3). Ele morreu para salvar todo aquele que nele crê. Ele morreu como nosso fiador e representante. Ele morreu como Cordeiro substituto. Ele suportou o castigo que nos traz a paz. Ele morreu a nossa morte para nos dar vida.

Sua morte satisfez plenamente as demandas da lei e da justiça divina.

Ele morreu morte vicária, para nos dar a vida eterna.

Joia do Cristão Com Informações do Pcamaral

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