Câmara inicia processo que pode levar à cassação de Flordelis

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados iniciou nesta terça-feira (1º) o processo que pode levar à cassação da deputada federal Flordelis (PSD-RJ), apontada pela Polícia Civil do Rio como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, 42.

Ao mesmo tempo, os deputados decidiram apresentar um projeto de resolução para reativar o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, onde a abertura da ação contra Flordelis será analisada, e outras três comissões (Constituição e Justiça, Finanças e Tributação e Fiscalização Financeira e Controle). Só depois da votação é que os colegiados serão retomados.

A mesa enviou a denúncia feita pelo deputado Léo Motta (PSL-MG) contra a deputada para a Corregedoria Parlamentar, assim como os documentos encaminhados pelos advogados de Flordelis. A Corregedoria emitirá um parecer e devolverá o documento à mesa para que encaminhe ou não uma representação contra a parlamentar ao conselho de ética.

O conselho é responsável por dar andamento ou arquivar o processo de cassação. Se o pedido for aprovado, a decisão de encerrar o mandato da deputada caberá ao plenário —são necessários ao menos 257 votos favoráveis ao parecer do conselho de ética.

Segundo o deputado Mário Heringer (PDT-MG), segundo secretário da mesa, os documentos que deveriam ter sido enviados pelo Ministério Público à Câmara ainda não chegaram.

“Tomamos a resolução hoje de encaminhar à corregedoria o material, para ser analisado, e apresentar o voto do corregedor”, afirmou Heringer, que ressaltou que o voto poderia ser encaminhado ou não ao conselho. “O que eu acho mais provável é que, claro, vá ser encaminhado ao conselho de ética.”

Ele estima que até 15 de setembro a representação da mesa deve ser encaminhada ao conselho de ética.

Na representação contra Flordelis, o deputado Léo Motta afirmou que “fica evidente que a parlamentar não tem condições de permanecer no cargo para o qual foi eleita, tampouco exercer os papéis inerentes à vida política, devendo, assim entendo, dedicar-se exclusivamente à sua defesa perante a Justiça, uma vez que alega ser inocente dos crimes a ela imputados”.

Léo Motta também disse que a parlamentar sempre “procurou passar uma imagem de mulher cristã” e “preocupada com a família”, enquanto tinha uma postura que, se as denúncias forem comprovadas, “denota um coração perverso e inclinado ao crime, o que, por si só, se constitui em quebra de decoro parlamentar.”

Em entrevista nesta tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o direito de defesa de Flordelis deve ser respeitado, “mesmo sendo um caso de fato muito grave e muito constrangedor para todos”.

“Nós vamos abrir o prazo, a deputada vai fazer sua defesa. O que nós precisamos é na parte que cabe tanto ao corregedor, com a mesa e depois ao conselho de ética, que o prazo utilizado seja o menor possível”, disse.

Espero que sim, vou tentar que [votação do projeto de resolução] seja hoje. Mesmo que não seja votado hoje, o processo só deve sair da corregedoria da Mesa da Câmara a partir da próxima semana. Então votar hoje ou votar na próxima semana não faz muita diferença. Agora, seria bom que a gente conseguisse consenso, acordo para votar o projeto de resolução ainda hoje.

O pastor Anderson foi assassinado com mais de 30 tiros dentro da própria casa, em Niterói, região metropolitana do Rio. De acordo com investigações da Polícia Civil, o plano para matar o pastor começou em maio de 2018, com um envenenamento em doses por arsênico.

Segundo o promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, quando Flordelis convence um dos filhos sobre o plano de matar o pastor, em uma troca de mensagens, ela fala sobre o crime. “‘Fazer o quê? Separar dele não posso, porque senão ia escandalizar o nome de Deus’. E então resolve matar. Ou seja, nessa lógica torta, o assassinato escandalizaria menos”, diz Pereira.

De acordo com o promotor, a associação criminosa entre os familiares começou com a tentativa de matar o pastor por envenenamento, depois por arma de fogo. Após o crime, houve a tentativa do grupo de fraudar as investigações, com uso de contrainformações.

Flordelis arquitetou todo plano da morte, financiou a compra da arma, convenceu pessoas a realizar o crime, avisou sobre a chegada da vítima ao local e ainda tentou ocultar provas, de acordo com a investigação.

Flordelis foi indiciada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada. Para a polícia, a motivação do crime foi a insatisfação com a maneira que o pastor Anderson administrava a vida financeira da família.

Flordelis não foi presa por causa da imunidade parlamentar. Neste caso, apenas os flagrantes de crimes inafiançáveis são passíveis de prisão.

Deputada federal Flordelis
Deputada federal Flordelis

Joia do Cristão Com Informações do FolhaUol

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