Evangélicos têm força crescente de submeter políticos a seus interesses, diz professor referência no tema

Para autor de livro sobre neopentecostais, relação entre o pastor e os fiéis da igreja não é passiva

Anna Virginia BalloussierRIO DE JANEIRO

Evangélicos não vivem em bolhas religiosas, então não há por que insistir na associação imediata entre “rebanho e curral eleitoral”, diz Ricardo Mariano, professor de sociologia da USP.

Fiéis não seguem a orientação pastoral de olhos fechados na hora de votar, mas a identidade religiosa pode falar alto num contexto de lutas identitárias.

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Evangélicos se candidatam por partidos de esquerda e expõem polarização nas igrejas

Coletivos de cristãos e evangélicos criados em reação à eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, lançaram dezenas de candidatos por partidos de esquerda e centro-esquerda no pleito deste ano. O objetivo, segundo eles, é disputar com a direita os votos desse segmento que representa quase um terço do eleitorado, levando a polarização política para dentro das igrejas, território onde o bolsonarismo exerce hegemonia. A movimentação já provoca reação de grandes denominações, como a Igreja Universal do Reino de Deus, que tenta frear a atuação desses novos grupos. 

Criado em 2018 como resposta à atuação do bolsonarismo dentro das igrejas, o Cristãos Contra o Fascismo vem se preparando para disputar a primeira eleição neste ano. Serão 42 candidaturas a vereador, algumas delas coletivas, e três a prefeito em todo o Brasil por sete partidos diferentes: PT, PDT, PSOL, PCdoB, Cidadania, Rede e UP. Os candidatos têm origem em igrejas como Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista e Católica.

“Estava havendo uma perseguição dentro das igrejas em função das escolhas políticas e assuntos envolvendo LGBTs, negros e pobres”, disse Diana Brasilis, candidata a vereadora em São Paulo pelo PDT e integrante do grupo, que já reúne mais de 40 mil pessoas. 

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Após mais de 135 mil mortes, Bolsonaro diz a evangélicos que “Brasil foi o que melhor se saiu” na crise

Após mais de 135 mil mortes em decorrência da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste sábado (19) que Brasil é o país que teve o melhor desempenho no combate aos efeitos econômicos provocados pela pandemia do novo coronavírus.

Ao discursar para uma plateia de evangélicos, em evento da igreja Assembleia de Deus em Brasília, Bolsonaro declarou que foi obrigado a tomar decisões importantes, mesmo “sendo tolhido pelo Poder Judiciário”.

Bolsonaro participou nesta manhã da Assembleia Geral Extraordinária da Convenção Evangélica das Assembleias de Deus do Distrito Federal e do Entorno, falando a grande plateia de evangélicos.

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Bolsonaro é um dos grandes algozes do Estado laico, diz pesquisadora

Direitos Humanos, Justiça e Educação. Esses três ministérios são ocupados por pastores na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente, que se elegeu com o slogan “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, tem respeitado o Estado Laico? A atuação de seus ministros e de parte de sua base aliada tem se baseado no interesse público? Há, no mundo, alguma democracia considerada sólida com tantos cargos ocupados por líderes de atuação notadamente religiosa?

Para Amanda Mendonça, doutora em Ciência Política e coordenadora do Observatório da Laicidade na Educação (OLE) da Universidade Federal Fluminense, o Brasil se afasta de exemplos democráticos durante a gestão Bolsonaro.

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