Melhor viúva que divorciada: Flordelis e o preço da ética fundamentalista

“Separar dele não posso, porque ia escandalizar o nome de Deus”. Esta é uma das mais marcantes frases da pastora e deputada federal Flordelis, nas mensagens ouvidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), que indica que a pastora arquitetou o plano de assassinato de seu marido Anderson do Carmo.

É possível que, para muitos, a frase soe apenas como uma forte demonstração de hipocrisia. Provavelmente é isto também. Mas ela também nos ajuda a pensar como este universo religioso fundamentalista relativiza a vida em nome de aparências e rigor moral impraticável, que arrasta em torno de si sofrimento, violência e desigualdades.

Com fundamentalismo, no caso evangélico, eu estou me referindo a esta relação com os textos bíblicos que os tomam como verdade absoluta não apenas para si, mas para todo mundo, o que faz com que estas verdades sejam impostas aos outros; ao rigor moral que é insensível a contextos e complexidades da vida; e à presunção de manter uma vida pública sem erros, para sustentar uma superioridade moral pública perante as pessoas e, evidentemente, poder julgá-las.

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