MP-GO deflagra operação que apura lavagem de dinheiro na Afipe, responsável pela Basílica de Trindade

Ação investiga vários crimes e cumpre 16 mandados de busca, inclusive, em imóveis de luxo vinculados ao padre Robson, presidente da entidade. Valor movimentado nas contas da Associação Filhos do Pai Eterno, na última década, chega a R$ 2 bilhões.

Por Sílvio Túlio e Guilherme Rodrigues, G1 GO e TV Anhanguera

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) deflagrou na manhã desta sexta-feira (21) uma operação para apurar irregularidades na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). A entidade é responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, cidade na Região Metropolitana de Goiânia conhecida como a “capital da fé” do estado. São cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, inclusive, em imóveis luxuosos ligados ao padre Robson de Oliveira Pereira, fundador e presidente da Afipe e reitor da Basílica.

G1 entrou em contato com a assessoria da Afipe por e-mail, às 7h41, e aguarda retorno.

Já o corpo jurídico da entidade disse que “não foi pego de surpresa” com a operação e que, no passado, “se colocou à disposição do Ministério Público”. Salientou ainda que o padre Robson acompanhou toda a operação e que tudo segue em “extremo sigilo”.

A operação foi batizada como “Vendilhões” e apura crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, sonegação fiscal e associação criminosa.

Imóvel ligado ao padre Robson onde foi cumprido mandado de busca e apreensão tinha piscina aquecida — Foto: Reprodução

Imóvel ligado ao padre Robson onde foi cumprido mandado de busca e apreensão tinha piscina aquecida — Foto: Reprodução

Os mandados são cumpridos na sede da Afipe, empresas e residências em Goiânia e Trindade. O G1 apurou que entre os imóveis ligados ao padre Robson está uma chácara com piscina aquecida. O pároco teria acompanhado o cumprimento de uma das ordens na Casa dos Padres, onde mora.

Em relação a valores, a investigação apontou que nos últimos dez anos foram movimentados nas contas da Afipe cerca de R$ 2 bilhões, sendo a maioria fruto de doações para a construção da nova Basílica da cidade.

Constatou-se que os gastos de boa parte das doações não tinham vínculo com questões religiosas, mas com outros negócios, como a compra de imóveis, propriedades rurais, cabeças de gado e emissoras de rádio, diz o MP.

Operação investiga suspeita de irregularidades da Afipe, que organiza a Romaria do Pai Eterno

Investigação

De acordo com o MP, a operação se originou por conta de outra investigação, que começou em 2017, mas só veio à tona em março do ano passado, vinculada ao padre Robson. Conforme o apurado, na ocasião, o religioso, após ser vítima de extorsão, “utilizou indevidamente recursos provenientes de contas das associações que preside”.

Um hacker chegou a ser condenado por extorquir R$ 2 milhões do padre ameaçando revelar um suposto caso amoroso do religioso.

As ordens foram autorizadas pela juíza Placidina Pires. Participam da operação 20 promotores de Justiça, mais de 50 servidores do MP-GO, quatro delegados, oito agentes e mais de 60 policiais militares.

Maço de dinheiro que, segundo o MP, foi apreendido na sala do padre Robson, na Associação Filhos do Pai Eterno — Foto: MP-GO/Divulgação

Maço de dinheiro que, segundo o MP, foi apreendido na sala do padre Robson, na Associação Filhos do Pai Eterno — Foto: MP-GO/Divulgação

Afipe

A Associação Filhos do Pai Eterno foi criada pelo Padre Robson em 2004. A associação mantém um canal de TV e também transmite missas em uma rádio.

Além de toda a programação religiosa, a Afipe também é responsável pela Romaria do Divino Pai Eterno, principal festa religiosa de Goiás que reúne milhões de pessoas todos os anos.

Em 2019, a romaria recebeu cerca de 3 milhões de fiéis de todo o Brasil e até do exterior. Neste ano, a celebração foi cancelada por causa da pandemia.

Denúncia de extorsão

As investigação sobre o caso de extorsão apontaram que o padre Robson foi extorquido durante cerca de dois meses, entre março e abril de 2017, e que teria pago parte do valor solicitado usando contas da Afipe. No entanto, na ocasião, a entidade disse que “não teve nenhum prejuízo financeiro e todo o valor já voltou para a instituição”.

O hacker ameçaou divulgar informações sobre um suposto relacionamento amoroso do padre. Porém, a polícia apontou que as mensagens usadas para extorquir o padre eram falsas.

De acordo com as investigações o dinheiro foi repassado por transferências bancárias e entregas em espécie. Os pagamentos eram feitos em quantias de R$ 50 mil a R$ 700 mil. Em alguns casos, o valor era deixado dentro de um carro na porta de um condomínio ou no estacionamento de um shopping da capital.

Uma das entregas foi supervisionada pela Polícia Civil a fim de identificar e localizar todos os criminosos.

Promotores apreendem documentos na casa do padre Robson, em Trindade — Foto: MP-GO/Divulgação

Promotores apreendem documentos na casa do padre Robson, em Trindade — Foto: MP-GO/Divulgação

Carro da polícia passa em frente à Basílica durante cumprimento de mandados em operação que apura irregularidades na Associação Filhos do Pai Eterno — Foto: Gabriel Garcia/TV Anhanguera

Carro da polícia passa em frente à Basílica durante cumprimento de mandados em operação que apura irregularidades na Associação Filhos do Pai Eterno — Foto: Gabriel Garcia/TV Anhanguera

Promotores cumprem mandado na casa onde vive o padre Robson, em Trindade — Foto: Guilherme Rodrigues/TV Anhanguera

Promotores cumprem mandado na casa onde vive o padre Robson, em Trindade — Foto: Guilherme Rodrigues/TV Anhanguera

Afipe administra o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade — Foto: Murillo Velasco/G1

Afipe administra o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade — Foto: Murillo Velasco/G1

Joia do Cristão Com Informações do G1

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